Pois é, eu fico meses sem escrever por aqui, esperando uma inspiração cair do céu e me fazer parar e contar alguma história.
Já tinha decidido sobre o próximo post, mas ontem bizarrices aconteceram e tudo mudou.
here we go:
Muitos não sabem, mas eu me anunciei em um site como female-drummer-procura-banda-de-rock, só pra testar. E deu certo.
Recebo e-mails diariamente, super me acho no direito de selecionar as cinco melhores e vou respondendo, bem rockstar.
Mas este não é o assunto. O fato é que em um destes e-mails respondidos, combinei de me encontrar com uma menina que tinha interesse em montar uma banda, já tinha músicas prontas e sonha em fazer da vida um palco de rock and roll. Perfeito, não?
Quase.
Chego no ponto de encontro e avisto uma menina meio perdida. Na hora peguei meu celular e fiquei esperando ela atender. E aí?
E aí nada. A menina continuou perdida no meio das pessoas até que eu escuto uma voz masculina atendendo. Pensei na hora “oh-oh!”.
- Alô, Renata? Oi, eu estou aqui na frente, cadê você?
Foi quando resolvi olhar pro lado e dar de cara com o meio-metro mais fluorescente do pedaço. Tentei desconversar e sair de fininho antes que fosse vista, mas sem sucesso.
- Ahhh! Estou te vendo, esperaí que vou te encontrar! (e eu quase entrando na estação de metrô de volta e pensando na melhor desculpa para ir embora)
Cara, não era apenas um indiano. Era um indiano com uma unha de cada cor e mechas nos cabelos fluorescentes que combinavam com as mãos e a jaqueta. Para completar, o sobrenome era Pereira! Como pode? Alguém avisa que isso é estranho, por favor?
Anyway, fomos a um pub que ele sugeriu e me disse que tinha boas vibrações. Chegando lá, pensei: “é aqui que tu vai me amarrar em uma cadeira e me matar?”.
Mas não, o pouca-sombra era camarada. Me pagou uma pint (que eu não tirei as mãos para não correr o risco de adormecer e ver até Jesus com qualquer poção mágica que possa existir) e falou dos seus interesses na banda.
Tirando o detalhe de que o lugar das boas vibrações estava cheio de homens engravatados e mulheres com trajes sociais e eu estava à mesa com uma pessoa que usava roupas, cabelos e unhas a pilha, estava tudo bem.
A minha salvação da noite foi quando meu telefone tocou exatamente no momento em que ele fazia air guitar sentado na cadeira, com direito a caretas de rockstar e tudo, simulando um show feito no Japão.
Aproveitei a situação para dizer que estava atrasadíssima para um aniversário e que precisava ir.
Muito educado e já sendo minha melhor amiga, me convidou para mais um encontro em que discutiremos sobre o rock e a futura banda que vai tocar no Japão um dia, com músicas protestando sobre George Bush e Tony Blair.
Eu sempre disse que o melhor de Londres são as amizades.
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